Portuguese poem
Soneto III
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
Enganei-me, enganei-me, paciencia; Accreditei as vozes, cri, Ormia, Que a tua singeleza igualaria Á tua mais que angelica apparencia.
Enganei-me, enganei-me, paciencia; Ao menos conheci que não devia, Pôr nas mãos de huma externa galhardia O prazer, o socego, e a innocencia.
Enganei-me, Cruel, com teu semblante, E nada me admiro de faltares, Que esse teu sexo nunca foi constante.
Mas tu perdestes mais em me enganares; Que tu não acharás hum firme amante, E eu posso de traidoras ter milhares.