Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Soneto IV

Portuguese poem

Soneto IV

by (1744–1810)

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Ainda que de Laura esteja ausente, Ha de a chama durar no peito amante; Que existe retratado o seu semblante, Se não nos olhos meus, na minha mente.

Mil vezes finjo vêla, e eternamente Abraço a sombra vã; só nesse instante Conheço que ella está de mim distante, Que tudo he illusão que esta alma sente.

Talvez que ao bem de a vêr Amor resista; Porque minha paixão, que aos Ceos he grata, Por innocente assim melhor persista:

Pois quando só na idéa ma retrata, Debuxa os dotes com que prende vista, Esconde as obras com que offende ingrata.