Portuguese poem
XXVI (O destro Cupido um dia)
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
O destro Cupido um dia Extraiu mimosas cores De frescos lírios e rosas, De jasmins e de outras flores.
Com as mais delgadas penas Usa de uma, e de outra tinta, E nos ângulos do cobre A quatro belezas pinta.
Por fazer pensar a todos No seu liso centro escreve Um letreiro, que pergunta: "Este espaço a quem se deve?"
Vênus, que viu a pintura, E leu a letra engenhosa, Pôs por baixo "Eu dele cedo; Dê-se a Marília formosa."