Portuguese poem
Perseverando
by Victor Hugo (1802–1885)
A REGUEIRA COSTA
Nem pobre verme, nem dourada abelha, Nem azul borboleta... sua prole Faminta, boquiaberta espera ter... Não! São aves da noite, são serpentes. São lagartos immundos, que ella arroja Aos filhos p′ra viver.
Ninho de rei!... palacio tenebroso, Que a avalanche a saltar cerca tombando!... O genio ahi enseiva a geração... E ao céo lhe erguendo os olhos flammejantes Sob as azas de fogo aquenta as almas Que um dia voarão.
Por que espantas-te, amigo, se tua fronte Já de raios pejada choca a nuvem?... Se o reptil em teu ninho se debate?... É teu folgar primeiro... é tua festa!... Aguias! P'ra vós cad'hora é uma tormenta, Cada festa um combate!...
Radia!... É tempo!... E se a lufada erguer-se Muda a noite feral em prisma fulgido! De teu alto pensar completa a lei!... Irmão! — Prende esta mão de irmão na minha! Toma a lyra — Poeta! Aguia! — esvoaça! Sobe, sobe. astro — rei!...
De tua aurora a bruma vai fundir-se, Aguia! faz-te mirar do sol, do raio; Arranca um nome no febril cantar. Vem! A gloria, que é o alvo de vis settas, É bandeira arrogante, que o combate Embelleza ao rasgar.
O meteoro real — de coma fulgida — Rola e se engrossa ao devorar dos mundos... Gigante! Cresces todo dia assim!... Tal teu genio, arrastando em novos trilhos No curso audaz constellações de idéas, Marcha e recresce no marchar sem fim!...