Versos Portuguese Victor Hugo Velha canção

Portuguese poem

Velha canção

by (1802–1885)

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Nunca eu pensára em Roza. Ela tinha vinte anos, Eu, quinze. Uma manhã, deu-me ela o braço, rindo, E ambos, rindo, a palrar, fomos leves e ufanos, Campo em fóra, a vagar sob o azul do ceu lindo.

Muito senhor de mim, sereno, eu caminhava Ao seu lado, a falar, com distraída voz, De que? Nem sei. De mil nadas. Ela escutava; E o seu olhar azul me perguntava: — E apóz?

Tentando ela apanhar um jambo num jambeiro, Prendeu-se-lhe no galho a manga; e, arregaçada, Poz-lhe indiscretamente á mostra o braço inteiro. Ela córou. Eu ri. Ela sorriu. Mais nada.

Insinuando-se entre a emaranhada alfombra, Um córrego rolava espumas furta-cor. Em róda, a natureza adormecêra á sombra Cheiroza e tutelar das arvores em flor.

Com um ar de criança, ela, rapidamente Descalçou-se... Eu sentei-me, atoa, no barranco; Puz-me a olhar o regato — e na agua transparente Vi um pé pequenino alvejar, muito branco...

Voltámos. Roza vinha apoiada ao meu braço. Absorta, mal dizia um sim ou não banal. E eu achava-lhe um ar estranho, de cansaço Ou dezanimo... Um ar diferente, afinal.

Já nem sabia mais o assunto em que falar-lhe. Caminhava ao seu lado, acanhado e indecizo, Vendo-a ás vezes sorrir, e ás vezes borbulhar-lhe Um suspiro atravez das rozas de um sorrizo.

Fomos andando assim. Chegámos, está visto. Ao separar-nos, Roza, estendendo-me a mão, Disse-me: — Bem, adeus! Não pensemos mais nisto! ...E é só nisso, afinal, que eu penso desde então.