Portuguese poem
Diz O Marquez
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
—Oh triste velho coitado, Oh cans cheias de tristura! Oh doloroso cuidado, Oh cuidado sem ventura, Sem ventura desestrado! Quebrem-se minhas intranhas, Rompa-se meu coração Com minha tribulação. Chorem todas as campinas Minha grande perdição, Scureça-se o sol com dó, Caiam estrellas do ceu, As trévas de Faraó Venham ja sôbre mim só. Pois minha luz se perdeu Na luz de mui claro dia, Claridade sem clareza, Minha doce companhia, Onde está vossa alegria, Que me deixa tal tristeza? Oh velhice desestrada, Sem gloria e sem prazer, Para que me deixais ser, Pois que sendo, não sou nada, Nem desejo de viver? Porque não vens, padecer, Porque não vindes, tormentos, Paraque são soffrimentos A quem os não quer ja ter, Nem busca contentamentos? Paraque quero razão, Paraque quero prudencia, Nem saber, nem discrição? Paraque é paciencia, Pois perdi consolação?
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