Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Diz Valdevinos

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Diz Valdevinos

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—Meu senhor, muitas mercês Por vossa boa vontade! Bem creio que me fareis Muito mais do que dizeis, Segundo vossa bondade. Mas minha dor é mortal, Meu remedio so é morte, Porque estou parado tal, Que nunca homem mortal Foi trattado de tal sorte. Tenho, senhor, vinte e duas Feridas todas mortais, As intranhas rotas, nuas, E passo penas tam cruas, Que não poderão ser mais. Ha-me morto á traição O filho do imperador, Carloto, a gran’ sem razão, Mostrando-me todo o amor, Não o tendo no coração. Muitas vezes requeria Minha espôsa com maldade, Mas ella não consentia Pelo bem que me queria, Por sua grande bondade. Carloto com gran’ pezar, Como mais traidor que forte, Ordenou de me matar, Cuidando com minha morte Com ella haver de casar. Mattou-me com gran’ falsia, Tranzendo cinco comsigo, Sem eu trazer mais commigo Que um pagem por companhia. A mim chamam Valdevinos, Sou filho de elrei de Dacia, E primo de elrei de Grecia, E do forte Montesinos, Que é herdeiro de Dalmacia. Dona Hermelinda formosa Minha madre natural, Sibylla minha espôsa De graças especial, Mas com primores famosa. Ésta nova contareis Á triste de minha madre Que em Mantua achareis, E ao honrado marquez Meu tio, irmão de meu padre.