Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Estes Sitios!

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Estes Sitios!

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Olha bem estes sitios queridos, Vê-os bem n’este olhar derradeiro... Ai! o negro dos montes erguidos, Ai! o verde do triste pinheiro! Que saudades que d’elles teremos... Que saudade! ai, amor, que saudade! Pois não sentes, n’este ar que bebêmos, No acre cheiro da agreste ramagem, Estar-se alma a tragar liberdade E a crescer de innocencia e vigor! Oh! aqui, aqui só se ingrinalda Da pureza da rosa selvagem, E contente aqui só vive Amor. O ar queimado das salas lhe escalda De suas azas o niveo candor, E na frente arrugada lhe cresta A innocencia infantil do pudor. E oh! deixar taes delicias como ésta! E trocar este ceo de ventura Pelo inferno da escrava cidade! Vender alma e razão á impostura, Ir saudar a mentira em sua côrte, Ajoelhar em seu throno á vaidade, Ter de rir nas angústias da morte, Chamar vida ao terror da verdade... Ai! não, não... nossa vida acabou, Nossa vida aqui toda ficou. Diz-lhe a adeus n’este olhar derradeiro, Dize á sombra dos montes erguidos, Dize-o ao verde do triste pinheiro, Dize-o a todos os sitios queridos D’esta ruda, feroz soledade, Paraizo onde livres vivemos... Oh! saudades que d’elle teremos, Que saudade! ai, amor, que saudade!

XXI.

NÃO TE AMO.

Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma. E eu n’alma--tenho a calma, A calma--do jazigo. Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida. E a vida--nem sentida A trago eu ja commigo. Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero De um querer bruto e fero Que o sangue me devora, Não chega ao coração.

Não te amo. Es bella; e eu não te amo, ó bella. Quem ama a aziaga estrêlla Que lhe luz na má hora Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado, De mau feitiço azado Este indigno furor. Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto Que de mim tenho espanto, De ti medo e terror... Mas amar!... não te amo, não.

XXII.

NÃO ES TU.

Era assim, tinha esse olhar, A mesma graça, o mesmo ar, Corava da mesma côr, Aquella visão que eu vi Quando eu sonhava de amor, Quando em sonhos me perdi.

Toda assim; o porte altivo, O semblante pensativo, E uma suave tristeza Que por toda ella descia Como um veo que lhe involvia, Que lhe adoçava a belleza.

Era assim; o seu fallar, Ingenuo e quasi vulgar, Tinha o podêr da razão Que penetra, não seduz: Não era fogo, era luz Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume, No seio o mesmo perfume, Um cheiro a rosas celestes, Rosas brancas, puras, finas, Viçosas como boninas, Singelas sem ser agrestes.

Mas não es tu... ai! não es: Toda a illusão se desfez. Não es aquella que eu vi, Não es a mesma visão, Que essa tinha coração, Tinha, que eu bem lh’o senti.