Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Dom Duardos[109]

Portuguese poem

Dom Duardos[109]

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Era pelo mez de Abril, De Maio antes um dia, Quando lyrios e rosas Mostram mais sua alegria; Era a noite mais serena Que fazer no ceo podia, Quando a formosa infanta, Flérida ja se partia; E na horta de seu padre Entre as árvores dizia: —‘Com Deus vos ficade, flores, Que ereis a minha alegria! Vou-me a terras extrangeiras Pois lá ventura me guia; E se meu pae me buscare, Pae que tanto me queria Digam-lhe, que amor me leva, Que eu por vontade não ia; Mas tanto atimou commigo Que me venceu co’a porfia. Triste, não sei onde vou, E ninguem não m’o dizía!...’ Alli falla Dom Duardos: —‘Não choreis, minha alegria, Que nos reinos de Inglaterra Mais claras aguas havia, E mais formosos jardins, E flores de mais valia. Tereis trezentas donzellas De alta genealogia; De prata são os palacios Para vossa senhoria; De esmeraldas e jacynthos E oiro fino de Turquia, Com lettreiros esmaltados, Que a minha vida se lia, Contando das vivas dores Que me déstes n’esse dia Quando com Primalião Fortemente combatia: Mattastes-me vós, senhora, Que eu a elle o não temia...’ Suas lagrymas inchugava Flérida que isto ouvia. Ja se foram ás galeras Que Dom Duardos havia. Cinquenta eram por conta, Todas vão em companhia. Ao som do doce remar A princeza adormecia Nos braços de Dom Duardos, Que tam bem a merecia.

Saibam quantos são nascidos Sentença que não varia: Contra a morte e contra amor Que ninguem não tem valia.