Portuguese poem
Ix
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
—‘Portas do castello, abri-vos, Correi, pagens e donzellas, Que é chegado meu senhor, Meu espôso e meu amor!’ Auzenda bradava e corre. Portas se abrem, soam vivas, E o echo da antiga tôrre Com o som festivo acordou. —‘Viva, viva Dom Sisnando!’ E o tropel que dobra e cresce, E ás portas que chega o bando Dos guerreiros triumphantes. Do corcel suberbo desce E aos braços anhelantes Da cara espôsa voou. Doce amor que os apertou Não lhes deixou mais sentidos Que para se ver unidos, Ajuntar-se peito a peito, E em laço tam brando e estreito Longa saudade afogar. A Auzenda gotteja o pranto, Pranto que é todo alegria; E o rosto que nunca infia Do esforçado lidador Tambem sentiu—mais que a dor Póde o gôso!—descuidada Uma lagryma sensivel De seus olhos escapada.