Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Ix

Portuguese poem

Ix

by

Listen in the reader

No seixo cavada grutta Tem escassa entrada aberta, Quasi de todo cuberta De festões d’hera lustrosa Que cingindo a rocha bruta Pende em grinalda ramosa. Entre as folhas, que meneia Ligeiro sôpro de vento, Viu Sisnando—e alma lhe anceia— Um lampejar vago, incerto De luz fraca,—ouve um accento De voz doce mas gemente, Voz que se ouve que está perto, Que intoa suavemente Uma angelica harmonia, Tam triste que faz chorar! E ésta voz assim dizia Em seu languido cantar:

—‘Anjos do ceo, acudi-me, Valei-me, sanctos do ceo, Que me rouba mais que a vida Quem só a vida me deu.

‘Sancto ermitão, que me deste Aquella esperança ainda Que a desgraçada Adozinda Viria a ser venturosa Apóz de longo penar... Sorte que vieste Sôbre mim deitar, Sorte desastrosa Vem ver começar.

‘Anjos do ceo, acudi-me, Valei-me, sanctos do ceo, Que me rouba mais que a vida Quem só a vida me deu.

Mas ah! tam negro crime, Tam horrida paixão D’um pae no coração... D’um pae...—Como é possivel! Não, não, não hade entrar.’