Portuguese poem
X
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
—‘Irás’ disse Auzenda emfim, E a voz, que treme, assegura: ‘Irás a teu...’—pae não disse, E um som rouco lhe murmura Nos labios onde a meiguice, Onde a maternal ternura Procuram em vão surrir: ‘Irás, filha, a Dom Sisnando E lhe dirás que...’ —‘Senhora!’ Interrompe ella chorando —‘Que’ torna a mãe ‘quando a hora Da meia-noite soar, Em teu quarto o hasde esperar. Não temas, filha, não tremas, Não chores, minha Adozinda, Querida filha, não gemas, Que hasde ser feliz ainda. No angustiado seio Guardemos inda a esperança: Do ceo mandada me veio Uma ditosa lembrança Que nos poderá salvar. No teu leito d’ouro fino Sou eu que me heide ir deitar; Tua camiza de hollanda A meu corpo heide lançar: E quando elle nos seus braços Ter Adozinda julgar... Ah! que o ceo hade abençoar Este ingano virtuoso, E a ser pae, a ser espôso Dom Sisnando hade voltar.’