Portuguese poem
Xiii
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Dom Sisnando é criminoso Quanto o podia ficar; Do intento abominoso Nada resta a consummar. Ja tristemente acordou De seu delirio fatal, E surrindo amargamente, Á infeliz assim fallou: —‘E era por isto... innocente! Que tanto se recatava Tua virtude fingida? Ah! essa alma corrompida Mais do que teu corpo estava. E tu...’ —Não pôde ouvir mais A triste mãe; não lhe soffrem As intranhas maternais Ouvir a filha adorada De tal modo calumniada, E por quem, e em que momento! C’um suffocado lamento, Que do peito rebentando Trouxe aos labios alma e vida, Quebra o silencio:—‘Ah, Sisnando! Ah, senhor, mattae-me embora; A desgraçada sou eu.’ E a terra n’aquella hora Rasgada não soverteu O infeliz, que meio morto, No abysmo do crime absorto, D’este golpe inesperado A violencia cedeu!