Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Canção Perdida

Portuguese poem

Canção Perdida

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Halitos de lilaz, de violeta e d'opala, Roxas macerações de dor e d'agonia, O campo, anoitecendo e adormecendo, exhala...

Triste, canta uma voz na sincope do dia:

Alguem de mim se não lembra Nas terras d'alem do mar... Ó Morte, dava-te a vida, Se tu lha fosses levar!...

Ó Morte, dava-te a vida, Se tu lha fosses levar!...

Com o beijo do sol na face cadaverica, Beijo que a morte esvae em palidez algente, Eis a lua a boiar sonambula e chimerica...

Doce, canta uma voz melancolicamente:

O meu amor escondi-o N'uma cova ao pé do mar... Morre o amor, vive a saudade... Morre o sol, olha o luar!...

Morre o amor, vive a saudade... Morre o sol, olha o luar!...

Latescente a neblina opalica flutua, Diluindo, evaporando os montes de granito Em colossos de sonho, extasiados de lua...

Flebil, chora uma voz no letargo infinito:

Quem dá ais ó rouxinol, Lá para as bandas do mar?... É o meu amor que na cova Leva as noites a chorar!...

É o meu amor que na cova Leva as noites a chorar!...

A lua enorme, a lua argentea, a lua calma, Imponderalisou a natureza inteira, Descondensou-a em fluido e embebeceu-a em alma...

Triste expira uma voz na canção derradeira:

Ó meu amor, dorme, dorme Na areia fina do mar, Que em antes da estrella d'alva Comtigo me irei deitar!...

Que em antes da estrella d'alva Comtigo me irei deitar!...

Maio--91.