Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Parasitas

Portuguese poem

Parasitas

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No meio d'uma feira, uns poucos de palhaços Andavam a mostrar em cima d'um jumento Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços, Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hypocritas, devassos, Exploravam assim a flor do sentimento, E o monstro arregalava os grandes olhos baços, Uns olhos sem calor e sem intendimento.

E toda a gente deu esmola aos taes ciganos; Deram esmola até mendigos quasi nùs. E eu, ao ver este quadro, apostolos romanos,

Eu lembrei-me de vós, funambulos da Cruz. Que andaes pelo universo ha mil e tantos annos Exhibindo, explorando o corpo de Jesus.