Versos Portuguese Afonso X de Leão e Castela XIII (Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz…)

Portuguese poem

XIII (Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz…)

by (1221–1284)

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Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

E porend’ um gran miragre vos direi desta razón, que feze Santa Maria, d’um mui malfeitor ladrón que Elbo por nom’ havia; mas sempr’ em sa oraçón a ela s’ , e aquelo lhe prestou.

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

Onde lh' um dia que foi um furto fazer, e o da terra ouve-o log’ a prender, e tan sem tardada fez-lo na forca põer; mas a Virgem, de Deus Madre, log’ entón dél se nembrou.

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

E pendurad’ estava no forca por s’afogar, a Virgem Santa Maria non vos quis entón tardar, ante chegou muit’ aginha e foi-lh’ as mãos parar so os pees e alçó-o assi que non s’afogou.

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

Assi esteve tres dias o ladrón que non morreu; mais lo meirinho passava , e mentes meteu com’ era viv’, e um home seu logo lhe corregeu o laço per que morresse, mas a Virgem o guardou.

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

cuidavam que mort’ era, o ladrón lhes diss’ assi: « Quero-vos dizer, amigos, ora, por que non morri: guardou-me Santa Maria, e aqui que me nas sas mãos sofre que m’ o laço non matou. »

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.

Quand’ est’ oiu o meirinho, deu à Virgen loor Santa Maria, e logo foi descer por seu amor Elbo, o ladrón da forca, que depois por servidor dela foi sempr’ em sa vida, ca em ordem log’ entrou.

Assi como Jesu-Cristo, estando na cruz, salvou um ladrón, assi sa Madre outro de morte livrou.