Portuguese poem
O meu senhor, o bispo, na Redondela, un dia
by Airas Nunes
O meu senhor o bispo, na Redondela, um dia, de noit'e com gram medo, de desonra fogia; eu, indo-mi aguisando por ir com el mia via, achei ũa companha assaz brava e crua que me decerom logo de cima da mia mua: azêmela e cama levarom-na por sua.
E des que eu nacera nunca entrara em lide; [e] pero que já fora cabo Valedolide escovardoas muitas fezerom em Molide. E ali me lançarom a mim a falcatrua; a meus 'scudeiros [em] cage o Churruchão [assua] e atá aos sergentes, ca som gente befua.
Ali me desbulharom do tabardo e dos panos e nom houverom vergonha dos meus cabelos canos, nem me derom por ende grã[a]s nem adianos: leixarom-me qual fui nado no meio da rua; e um rapaz tinhoso, que há de par em 'strua, chamava-mi "minhana, velha fududancua!"