Versos Portuguese Alberto Caeiro A guerra que aflige com seus esquadrões

Portuguese poem

A guerra que aflige com seus esquadrões

by (1888–1935)

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A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo, É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar. Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte. E a morte é o desprezo do Universo por nós. Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa. Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência. Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto. Para o coração e o comandante dos esquadrões Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos. A humanidade é um governo usurpado pelo povo. Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural! Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem, Paz à essência inteiramente exterior do Universo!