Portuguese poem
Olá, guardador de rebanhos
by Alberto Caeiro (1888–1935)
«Olá, guardador de rebanhos, Aí à beira da estrada, Que te diz o vento que passa?»
«Que é, vento, e que passa, E que já passou antes, E que passará depois. E a ti o que te diz?»
«Muita cousa mais do que isso. Fala-me de muitas outras cousas. De memórias e de saudades E de cousas que nunca foram.»
«Nunca ouviste passar o vento. O vento só fala do vento. O que lhe ouviste foi mentira, E a mentira está em ti.»
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