Versos Portuguese Almeida Garrett Flor de ventura

Portuguese poem

Flor de ventura

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A flor de ventura Que amor me entregou, Tão bela e tão pura Jamais a criou:

Não brota na selva De inculto vigor, Não cresce entre a relva De virgem frescor;

Jardins de cultura Não pode habitar A flor de ventura Que amor me quis dar.

Semente é divina Que veio dos Céus; Só n'alma germina Ao sopro de Deus.

Tão alva e mimosa Não há outra flor; Uns longes de rosa Lhe avivam a cor;

E o aroma... Ai!, delírio Suave e sem fim! É a rosa, é o lírio, É o nardo, o jasmim;

É um filtro que apura, Que exalta o viver, E em doce tortura Faz de ânsias morrer.

Ai!, morrer... que sorte Bendita de amor! Que me leve a morte Beijando-te, flor.