Portuguese poem
Flor de ventura
A flor de ventura Que amor me entregou, Tão bela e tão pura Jamais a criou:
Não brota na selva De inculto vigor, Não cresce entre a relva De virgem frescor;
Jardins de cultura Não pode habitar A flor de ventura Que amor me quis dar.
Semente é divina Que veio dos Céus; Só n'alma germina Ao sopro de Deus.
Tão alva e mimosa Não há outra flor; Uns longes de rosa Lhe avivam a cor;
E o aroma... Ai!, delírio Suave e sem fim! É a rosa, é o lírio, É o nardo, o jasmim;
É um filtro que apura, Que exalta o viver, E em doce tortura Faz de ânsias morrer.
Ai!, morrer... que sorte Bendita de amor! Que me leve a morte Beijando-te, flor.