Portuguese poem
Gozo e dor
Se estou contente, querida, Com esta imensa ternura De que me enche o teu amor? - Não. Ai!, não; falta-me a vida, Sucumbe-me a alma à ventura: O excesso de gozo é dor.
Dói-me alma, sim; e a tristeza Vaga, inerte e sem motivo, No coração me poisou, Absorto em tua beleza, Não sei se morro ou se vivo, Porque a vida me parou.
É que não há ser bastante Para este gozar sem fim Que me inunda o coração. Tremo dele, e delirante Sinto que se exaure em mim Ou a vida - ou a razão.