Portuguese poem
A Cathedral
Entre brumas ao longe surge a aurora, O hyalino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A cathedral eburnea do meu sonho Apparece na paz do céo risonho Toda branca de sol.
E o sino canta em lugubres responsos: Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
O astro glorioso segue a eterna estrada. Uma aurea setta lhe scintilla em cada Refulgente raio de luz. A cathedral eburnea do meu sonho, Onde os meus olhos tão cançados ponho, Recebe a bençam de Jesus.
E o sino clama em lugubres responsos: Pobre Alphonsus ! Pobre Alphonsus!
Por entre lirios e lilazes desce A tarde esquiva: amargurada prece Põe-se a lua a rezar. A cathedral eburnea do meu sonho Apparece na paz do céu tristonho Toda branca de luar.
E o sino chora em lugubres responsos: Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
O céu é todo trevas: o vento uiva. Do relampago a cabelleira ruiva Vem açoitar o rosto meu. E a cathedral eburnea do meu sonho Afunda-se no cháos do céu medonho Como um astro que já morreu.
E o sino geme em lugubres responsos: Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!
Julho — 14, de 1914.