Portuguese poem
Cysnes brancos
O’ cysnes brancos, cysnes brancos, Porque viestes, se era tão tarde? O sol não beija mais os flancos Da montanha onde morre a tarde.
O’ cysnes brancos, dolorida, Minh’alma sente dores novas. Cheguei á terra promettida: E’ um deserto cheio de covas.
Voae para outras risonhas plagas, Cysnes brancos! Sêde felizes... Deixae-me só com as minhas chagas, E só com as minhas cicatrizes.
Venham as aves agoireiras, De risada que esfria os ossos... Minh’alma, cheia de caveiras, Está branca de padre-nossos.
Queimando a carne como brazas, Venham as tentações damninhas, Que eu lhes porei, bem sob as azas, A alma cheia de ladainhas.
O’ cysnes brancos, cysnes brancos, Doce afago de alva plumagem! Minh’alma morre aos solavancos Nesta medonha carruagem...