Portuguese poem
No mar
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
Les étoiles s'allument au ciel, et la brise du soir erre doucement parmi les fleurs: rêvez, chantez et soupirez. GEORGE SAND
Da langue face na tez! Como teus seios revoltos Te palpitavam sonhando! Como eu cismava beijando Teus negros cabelos soltos!
Sonhavas? — eu não dormia; A minh'alma se embebia Em tua alma pensativa! E tremias, bela amante, A meus beijos, semelhante Às folhas da sensitivas!
E que noite! que luar! E que ardentias no mar! E que perfumes no vento! Que vida que se bebia Na noite que parecia Suspirar de sentimento!
Minha rola, ó minha flor, Ó madresilva de amor, Como eras saudosa então! Como pálida sorrias
E no meu peito dormias Aos ais do meu coração!
E que noite! que luar! Como a brisa a soluçar Se desmaiava de amor! Como toda evaporava Perfumes que respirava Nas laranjeiras em flor!
Suspiravas? que suspiro! Ai que ainda me deliro Entrevendo a imagem tua Ao fresco da viração, Aos ais do meu coração, Embalada na falua!
Como virgem que desmaia, Dormia a onda na praia! Tua alma de sonhos cheia Era tão pura, dormente, Como a vaga transparente Sobre seu leito de areia!
Era de noite — dormias,
Do sonho nas melodias, Ao fresco da viração; Embalada na falua, Ao frio clarão da lua, Aos ais do meu coração.