Versos Portuguese Álvares de Azevedo Vida

Portuguese poem

Vida

by (1831–1852)

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Oh! laisse-moi t'aimer pour que j'aime la vie! Pour ne point au bonheur dire un dernier adieu Pour ne point blasphémer les biens que l'homme envie Et pour ne pas douter de Dieu! ALEXANDRE DUMAS

E as páginas do amor sobre meu peito

E, quando, à noite, delirante durmo, Deito-as no peito meu... Nos delíquios de amor, ó minha amante, Eu sonho o seio teu...

A alma que as inspirou, que lhes deu vida E o fogo da paixão... E derramou as notas doloridas Do virgem coração!

Eu quero-as no meu peito, como sonho Teu seio de donzela, Para sonhar contigo o céu mais puro E a esperança mais bela!

II

A nós a vida em flor, a doce vida Recendente de amor, Cheia de sonhos, d'esperança e beijos E pálido langor...

A tua alma infantil junto da minha No fervor do desejo, Nossos lábios ardentes descorando Comprimidos num beijo...

E as noites belas de luar e a febre Da vida juvenil... E este amor que sonhei, que só me alenta No teu colo infantil!

Vem comigo ao luar: amemos juntos Neste vale tranqüilo... De abertas flores e caídas folhas... No perfumado asilo.

Aqui somente a rola da floresta Das sestas ao calor O tremer sentirá dos longos beijos... E verá teu palor.

À noite encostarei a minha fronte No virgem colo teu;

Terei por leito o vale dos amores, Por tenda o azul do céu!

E terei tua imagem mais formosa Nas vigílias do val: — Será da vida meu suave aroma Teu lírio virginal.

IV

Que importa que o anátema do mundo Se eleve contra nós, Se é bela a vida num amor imenso Na solidão — a sós?

Se nós teremos o cair da tarde E o frescor da manhã: E tu és minha mãe e meus amores E minh'alma de irmã?

Se teremos a sombra onde se esfolham As flores do retiro... E a vida além de ti — a vida inglória - Não me vale um suspiro?

Bate a vida melhor dentro do peito Do campo na tristeza E o aroma vital, ali, do seio Derrama a natureza...

E, aonde as flores no deserto dormem Com mais viço e frescor, Abre linda também a flor da vida Da lua no palor.