Portuguese poem
Beatrice
Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando, Se foi a nuvem d'ouro ideal que eu vira erguida: Depois que vi descer, baixar no céo da vida Cada estrella e fiquei nas trevas laborando:
Depois que sobre o peito os braços apertando Achei o vacuo só, e tive a luz sumida Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida A flor do meu jardim, que eu mais andei regando:
Retirei os meus pés da senda dos abrolhos, Virei-me a outro céo, nem ergo já meus olhos Senão á estrella ideal, que a luz d'amor contém...
Não temas pois--Oh vem! o céo é puro, e calma E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma... A alma! não vês tu? mulher, mulher! oh vem!
1862--1866