Portuguese poem
Contemplação
Sonho de olhos abertos, caminhando Não entre as formas já e as aparências, Mas vendo a face imóvel das essências, Entre idéias e espíritos pairando...
Que é o mundo ante mim? fumo ondeando, Visões sem ser, fragmentos de existencias... Uma névoa de enganos e impotências Sobre vácuo insondável rastejando...
E d'entre a névoa e a sombra universais Só me chega um murmúrio, feito de ais... É a queixa, o profundíssimo gemido
Das coisas, que procuram cegamente Na sua noite e dolorosamente Outra luz, outro fim só presentido...