Portuguese poem
Desesperança
Vai-te na aza negra da desgraça, Pensamento de amor, sombra d'uma hora, Que abracei com delírio, vai-te, embora, Como nuvem que o vento impele... e passa.
Que arrojemos de nós quem mais se abraça, Com mais ancia, á nossa alma! e quem devora D'essa alma o sangue, com que vigora, Como amigo comungue á mesma taça!
Que seja sonho apenas a esperança, Enquanto a dor eternamente assiste. E só engano nunca a desventura!
Se era silêncio sofrer fora vingança!.. Envolve-te em ti mesma, ó alma triste, Talvez sem esperança haja ventura!