Portuguese poem
Dialogo
A cruz dizia á terra onde assentava, Ao valle obscuro, ao monte aspero e mudo: --Que és tu, abysmo e jaula, aonde tudo Vive na dor e em lucta cega e brava?
Sempre em trabalho, condemnada escrava. Que fazes tu de grande e bom, comtudo? Resignada, és só lodo informe e rudo; Revoltosa, és só fogo e horrida lava...
Mas a mim não ha alta e livre serra Que me possa igualar!.. amor, firmeza, Sou eu só: sou a paz, tu és a guerra!
Sou o espirito, a luz!.. tu és tristeza, Oh lodo escuro e vil!--Porêm a terra Respondeu: Cruz, eu sou a Natureza!