Portuguese poem
_Divina Comedia_
(Ao Dr. José Falcão)
Erguendo os braços para o ceu distante E invectivando os deuses invisiveis, Os homens clamam:--«Deuses impassiveis, A quem serve o destino triumphante,
Porque é que nos creastes?! Incessante Corre o tempo e só géra, inextinguiveis, Dôr, peccado, illusão, luctas horriveis, Num turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente Do nada e do que ainda não existe, Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dôr nos evocastes?» Mas os deuses, com voz ainda mais triste, Dizem:--«Homens! porque é que nos creastes?»