Portuguese poem
Evolução
(A Santos Valente)
Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo, Tronco ou ramo na incognita floresta... Onda, espumei, quebrando-me na aresta Do granito, antiquissimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo Na caverna que ensombra urze e giesta; Ou, monstro primitivo, ergui a testa No limoso paúl, glauco pacigo...
Hoje sou homem--e na sombra enorme Vejo, a meus pés, a escada multiforme, Que desce, em espiraes, na immensidade...
Interrogo o infinito e ás vezes chóro... Mas, estendendo as mãos no vacuo, adoro E aspiro unicamente á liberdade.
Elogio da Morte
Morrer é ser iniciado.
Anthologia Grega.