Versos Portuguese Antero de Quental Força--Amor

Portuguese poem

Força--Amor

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O que destroe os mundos, E dá que os mar's frementes, Em volta aos continentes, Cavem abysmos fundos;

A mão que faz que a noite, Sem luz, amor, encanto, Se envolva em negro manto Aonde o mal se acoite;

Que pôs no olhar o brilho, E deu ao labio o riso, Á planta o pomo liso. Seio de mãe ao filho;

O que é verbo da vida, Do amor, da luz, do affecto, O que sustenta o insecto E a planta desvalida;

E disse á nuvem branca --Em densas trevas morre, E disse ao vento--corre, Assola, espalha, arranca;

Quem faz da vida morte, De puro incenso, fumo; E deixa, em mar sem rumo, O homem luctar co'a sorte;

Se é Deus... oh! não! não pode Do amor o foco immenso, Que abraza em fogo intenso, Se á mente nos acode;

Não pode o sôpro d'elle Mandar a morte e o pranto, Em vez do doce encanto, Que immenso amor revele!

Algum genio das trevas, --Espirito infecundo-- Espalha sobre o mundo Estas vinganças sevas.

Não elle; o Deus suave! D'aquelle seio immenso, Só manda á terra o incenso E o balsamo que a lave!

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--«Estranhas ver a morte? De vida andas repleto: O Deus, o Deus do affecto Tambem é o Deus forte:

Poeta! és tu que ignoras --Envolto em sonho aéreo-- O revolto mysterio De mais revoltas horas!--

Dezembro, 1860.