Portuguese poem
Mea Culpa
Não duvido que o mundo no seu eixo Gire suspenso e volva em harmonia; Que o homem suba e vá da noite ao dia, E o homem vá subindo insecto o seixo.
Não chamo a Deus tyranno, nem me queixo, Nem chamo ao céo da vida noite fria; Não chamo á existencia hora sombria; Acaso, á ordem; nem á lei desleixo.
A Natureza é minha mãe ainda... É minha mãe... Ah, se eu á face linda Não sei sorrir: se estou desesperado;
Se nada ha que me aqueça esta frieza; Se estou cheio de fel e de tristeza... É de crer que só eu seja o culpado!
O Palacio da Ventura
Sonho que sou um cavalleiro andante. Por desertos, por sóes, por noite escura, Paladino do amor, busco anhelante O palacio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exhausto e vacillante. Quebrada a espada já, roda a armadura... E eis que subito o avisto, fulgurante Na sua pompa e aerea formosura!
Com grandes golpes bato á porta e brado: Eu sou o Vagabundo, o Desherdado... Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor... Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silencio e escuridão--e nada mais!