Portuguese poem
*Madrigal Excentrico*
Tu que não temes a Morte, Nem a sombra dos cyprestes, Escuta, Lyrio do Norte, Os meus canticos agrestes:
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Tu ignoras os desgostos D'um coração torturado, Mais tristes do que os soes postos, Ou de que um bobo espancado!
Eu bem sei, ó Musa louca Que não conheces a magoa... E tens um riso na boca Como um cravo aberto n'agua...
Eu bem sei... bem sei que ris Dos meus madrigaes modernos. Sem cuidar, ó flor de liz! Que hão de chegar-te os invernos!
Que nos corre a Mocidade, Qual folha verde do val, E ha de vir-te a tempestade, Ó branco lyrio real!
Que has de ser como a açucena Varrida pelo nordeste... E os prantos da minha pena Que hão de regar teu cypreste!
Que ha de a terra agreste e dura Servir-te de ultimo leito... E a pedra da sepultura Quebrar teu corpo perfeito!
E has de, emfim, ser devorada Na fria noute, entre os bichos... Ó tu que andas adorada, Como as santas sobre os nichos!...
--Eu bem sei que te não does Do meu coração ralado, E fazes aos rouxinoes Parodias sobre o teclado.
Que amas ver--como n'um drama, O meu coração ferido, Como um gladiador de fama, Sobre um theatro vencido.
--Ah! mas eu que já estou velho... Carcomido como a Cruz... Digo adeus ao ceu vermelho... E ás boas tardes de luz!
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Adeus, adeus, ó Amor! Sinistra farça divina, Mais sonoro que o tambor De bohemia bailarina!
Adeus, adeus, ó outomno! Vão-se as folhas amarellas!... Sinto-me cair de somno, Olhando para as estrellas!
Sigam todos os meus rastros!... Andei errado o caminho! E sinto-me ebrio dos astros Como um bebado de vinho!
Adeus, adeus rola amada! Não chores a minha viagem... Vou hospedar-me no Nada, Como na boa estalagem!
Adeus, adeus, Mocidade! Já chega o inverno do Mal!... Vae despir-te a Tempestade Nevado lyrio real!
Chegou a noite fechada! Adeus tardes das janellas! --Pintai-me agora no Nada Sobre as tristes aquarellas!