Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Tarde De Verão*

Portuguese poem

*Tarde De Verão*

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Trepam-lhe pelas janellas Jasmins, cheirosas serpentes, E soltam-se as bambinellas Em pregas indifferentes.

Os lyrios que são uns ais Suspiram melancholias; Riem quadros sensuaes Nas largas tapeçarias.

Satyro ri nas florestas Niobe soluça magoas, E escuta-se entre as giestas A voz rythmica das agoas.

E á luz dubia dos occasos Ensanguentados do Sul As camelias dos seus vasos Olham voltadas o azul.

Lá dentro das gelosias Volteiam como desejos, Perfumes, melancholias, Como saudades de beijos.

Jaz ao pé do seu bordado Um cofre de filigrana, E um mandarim espantado Com olhos de procelana.

Uma violeta esfolhada Chora um amor n'um jardim. Uma vareta quebrada Ri n'um leque de marfim.

Nadam no quarto perfumes D'oleos, pomadas cheirosas, Um collar mostra os seus lumes; Voam aves gloriosas

N'um album perto olvidado Ha uns idyllios d'amores, E ao pé d'um Christo chagado Morrem nas jarras flores.

Mas, pasmada alheia a tudo Junto d'um missal já velho, Uma masc'ra de velludo Olha idiota no espelho.

Olhos vasios d'espanto, Olha, olha, nada vê, Ri-se uma Venus a um canto, E um cravo murcha-lhe ao pé.

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Assim eu sou moço velho, E em minha alma, ó minha amada! Como a masc'ra no espelho Eu olho e não vejo... nada!