Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *Tristissima*

Portuguese poem

*Tristissima*

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N'um paiz longe, secreto, Lendaria ilha affastada, Jaz todo o dia sentada N'um throno de marmor preto.

No seu palacio esculpido Não entram constellações; Os tectos dos seus sallões São todos d'ouro polido!

Nas largas escadarias Sobem vassallos ao cento, De noute suluça o vento N'aquellas tapeçarias.

E pelas largas janellas Fechadas, sempre corridas, Ha flores desconhecidas Que não olham as estrellas.

Na dextra segura um calix, --Calix da Dôr e da Magoa! Onde está contida a agoa E o sangue dos nossos males!

Pelas florestas sosinhas Escuras, sem rouxinoes, Erram chorando os Heroes, E as desgraçadas Rainhas.

Seguida, á noute, de servas, Caminha, em cortejo mudo, Rojando o negro velludo De seu cabello nas hervas.

Sómente ao vel-a passar Ficam as almas surprezas; --Ha todo um mar de tristezas No abismo do seu olhar!