Portuguese poem
*Soneto D'Um Poeta Morto*
Achado nos seus papeis
Bem sei que hei de morrer cedo e cansado, Alguma cousa triste em mim o diz, E vagarei no mundo desterrado, Como Dante chorando a Beatriz.
Pelos reinos, irei talvez curvado, Como um proscripto princepe infeliz, Ou como o indio pallido e exilado Chorando o vivo azul do seu payz.
Mas no entanto, ah! ninguem ao Sol divino Abrasou mais as azas, derretidas Ante as duras, ferozes multidões!
E ninguem teve a torre d'ouro fino, Aonde, quaes princezas perseguidas, Morreram minhas doudas illusões!