Portuguese poem
Conde
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Na praia lá da Boa Nova, um dia, Edifiquei (foi esse um grande mal) Torreão de gloria, o que é a phantasia, Todo de lapis-lazzuli e coral!
N'aquellas redondezas, não havia Quem se gabasse d'um dominio egual: Oh o Torreão de gloria! parecia O territorio d'um Senhor-feudal!
Um dia, não sei quando, nem sei d'onde; Um vento secco de tortura e spleen Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,
O meu condado, o meu condado, sim! Porque eu já foi um poderoso Conde, N'aquella idade em que se é conde assim...
Porto, 1887.