Portuguese poem
Desobriga
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Os meus peccados, Anjo! os meus peccados! Contar-t'os? Para que, se não têm fim... Sou santo ao pé dos outros desgraçados, Mas tu és mais que santa ao pé de mim!
A ti accendo cyrios perfumados, Faço novenas, queimo-te alecrim, Quando soffro, me vejo com cuidados... Nas tuas rezas, lembra-te de mim!
Que eu seja puro d'alma e pensamento! E que, em dia do grande julgamento, Minhas culpas não sejam de maior:
Pois tenho, que o céu tudo aponta e marca, Um processo a correr n'essa comarca, Cujo delegado é Nosso Senhor...
Hamburgo, 1891.