Portuguese poem
Maes, Vinde Ouvir!
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Longe de ti, na cella do meu quarto, Meu copo cheio de agoirentas fezes, Sinto que rezas do Outro-mundo, harto, Pelo teu filho. Minha Mãe, não rezes!
Para fallar, assim, ve tu! já farto, Para me ouvires blasphemar, ás vezes, Soffres por mim as dores crueis do parto E trazes-me no ventre nove mezes!
Nunca me houvesses dado á luz, Senhora! Nunca eu mamasse o leite aureolado Que me fez homem, magica bebida!
Fôra melhor não ter nascido, fôra, Do que andar, como eu ando, degredado Por esta Costa d'Africa da Vida...
Coimbra, 1889.