Portuguese poem
Natal d'um Poeta
by António Pereira Nobre (1867–1900)
Em certo reino, á esquina do planeta, Onde nasceram meus Avós, meus Paes, Ha quatro lustres, viu a luz um poeta Que melhor fôra não a ver jamais.
Mal despontava para a vida inquieta, Logo ao nascer, mataram-lhe os ideaes, A falsa-fé, n'uma traição abjecta, Como os bandidos nas estradas reaes!
E, embora eu seja descendente, um ramo D'essa arvore de Heroes que, entre perigos E guerras, se esforçaram pelo ideal:
Nada me importas, Paiz! seja meu amo O Carlos ou o Zé da Th'reza... Amigos, Que desgraça nascer em Portugal!
Coimbra, 1889.