Versos Portuguese Artur de Azevedo Sorte

Portuguese poem

Sorte

by (1855–1908)

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Depois que se casara aquela criatura, Que a negra traição das pérfidas requinta, Eu nunca mais a vi, pois, de ouropéis faminta, De um bem fingido amor quebrara a ardente jura.

Alta noite, porém, vi-a pela ventura, Numa avenida estreita e lobrega da quinta... Painel é que se cuida e sem color se pinta, De alvo femíneo vulto ou madrugada escura.

Maldito quem sentindo o pungitivo açoite Do desprezo e na sombra a sombra de um afeto A pular uma grade, um muro não se afoite.

- Prometes ser discreto? - Ó meu amor! prometo... Se não fosses tão curta, ó bem ditosa noite! Se fosses mais comprido, ó pálido soneto!