Portuguese poem
Uma observação
by Artur de Azevedo (1855–1908)
A moça está sentada. O moço amado Para uma contradança vai “tirá-la”: — Dá-me a honra?” — Pois não- E pela sala Eil-os a passear de braço dado.
De amor quanto protesto alambicado Daqueles meigos corações se exala, Te que as palmas batendo o mestre-sala, Toma lugar o par apaixonado!
Começa a dança. A mão do moço, esperta, Bole, mexe, comprime, apalpa, aperta, Durante uns turbulentos balances,
E uma senhora, que não é criança, Sentada a um canto observa que na dança Hoje trabalham mais as mãos que os pés.