Portuguese poem
Vozes da Morte
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos, Tamarindo de minha desventura, Tu, com o envelhecimento da nervura, Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos! E a podridão, meu velho! E essa futura Ultra-fatalidade de ossatura, A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes! E assim, para o Futuro, em differentes Florestas, valles, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos, Pelo muito que em vida nos amamos, Depois da morte, inda teremos filhos!