Portuguese poem
Vencido
by Augusto dos Anjos (1884–1914)
No auge de atordoadora e ávida sanha Leu tudo, desde o mais pristino mytho, Por exemplo: o do boi Apis do Egypto Ao velho Niebelungen da Allemanha.
Accommettido de uma fébre estranha Sem o escándalo phónico de um grito, Mergulhou a cabeça no Infinito, Arrancou os cabellos na montanha!
Desceu depois á gleba mais bastarda, Pondo a aurea insignia heráldica da farda A vontade do vomito plebeu..
E ao vir-lhe o cuspo diário á bocca fria O vencido pensava que cuspia Na céllula infeliz de onde nasceu.