Portuguese poem
In Promptum Pastoral
by Augusto Gil (1873–1929)
A Amadeu de Freitas
«Muito vence quem se vence Muito diz quem não diz tudo, Porque a um discreto pertence A tempo fazer-se mudo.»
(Copla do Infante D. Luiz.)
Sob este céu creador De manhã vergiliana, Apetece ser pastor E tocar frauta de cana;
Não, pastor d'autos d'amor, D'eclogas frias e velhas, Mas verdadeiro pastor De verdadeiras ovelhas...
Não conhecer o talento Nem nada do que se ensina. Esta dôr do entendimento É peor do que se imagina...
Guiar o meu coração Num ingenuo christianismo. Esta civilisação É cheia de pessimismo...
Comer pão negro, pão duro, Beber o leite das peáras. Pão de centeio é escuro, --Mas põe as almas ás claras...
Amar alguma pastora Com palavras e com obras. Estas senhoras d'agora São mais falsas do que as cóbras...
E vêr crear com carinho, Com cuidados infinitos, Á companheira, um filhinho... E ás ovelhas, borreguitos...