Versos Portuguese Auta de Souza Os canarios

Portuguese poem

Os canarios

by (1876–1901)

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Queriam-se na paz indefinida Das almas que são puras, Cheios de amor, de luz e de carinhos, Eles passavam docemente a vida, Isentos de amarguras. Então sorriam, sem pensar que a morte Inda podia lhes mudar a sorte. E sempre eles cantavam Se no espaço adejavam!

Ao despontar da aurora Chalravam, procurando, estrada a fora, O alimento do dia. Saltando de alegria Assim voltavam conversando a medo E pousavam, alegremente, rindo, Nos ramos do arvoredo.

Eu quisera saber o seu segredo: Devia ser tão lindo! Depois, ruflando as asas amarelas, Iam embora... E eu, triste e sozinha, Olhava para as belas Ramagens, onde eles mansamente Pousavam à tardinha.

A viração, gemendo docemente, Vinha beijar as avezinhas puras.

Terminaram, porém, tantas venturas: Morreu um passarinho Ficou deserto o ninho!

O outro partiu... Não sei onde foi ter; Talvez bem longe, para, então, morrer, Em triste soledade. E o meu olhar dorido Seguiu a ave, pelo pavor ferido. Ficava uma saudade!

E murmurei comigo entristecida: Ó asa aventureira! Levas toda a paixão de minha vida, Levas minh’alma inteira!

Desde então vivo triste. Às vezes penso Neste sofrer indefinido, imenso D’um pobre coração Que nas asas do tempo vê voar, A chorar, A última ilusão...