Versos Portuguese Camilo Almeida Pessanha Estatua

Portuguese poem

Estatua

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Cancei-me de tentar o teu segrêdo: No teu olhar sem côr,--frio escalpello,-- O meu olhar quebrei, a debate-lo, Como a onda na crista d'um rochêdo.

Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo E minha obcessão! Para bebe-lo Fui teu labio oscular, n'um pesadêlo, Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu osculo ardente, allucinado, Esfriou sobre o marmore correcto D'esse entreaberto labio gelado...

D'esse labio de marmore, discreto, Severo como um tumulo fechado, Serêno como um pélago quieto.