Portuguese poem
Na estrada
by Casimiro de Abreu (1839–1860)
Eu vi o pobre velho esfarrapado - Cabeça branca - sentado pensativo Dum carvalho ao pé; Esmolava na pedra dum caminho, Sem família, sem pão, sem lar, sem ninho, E rico só de fé!
Era de tarde; ao toque do mosteiro Seu lábio a murmurar rezava baixo, - Ao lado o seu bordão; E o sol, no raio extremo, lhe dourava Sobre a fronte senil a dupla c'roa De pobre e de ancião!
E o homem de metal vinha sorrindo Contando ao companheiro os gordos lucros Na usura de judeus; O mendigo estendeu a mão mirrada, E pediu-lhe na voz entrecortada: - Uma esmola, por Deus!
O homem de metal embevecido Em sonhos de milhões, por junto à pedra Sem responder, passou! O pobre recolheu a mão vazia... O anjo tutelar velou seu rosto Mas - Satanás folgou!