Versos Portuguese Casimiro de Abreu No jardim

Portuguese poem

No jardim

by (1839–1860)

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Ela estava sentada em meus joelhos E brincava comigo - o anjo louro, E passando as mãozinhas no meu rosto Sacudia rindo os seus cabelos d'ouro.

E eu, fitando-a, abençoava a vida! Feliz sorvia nesse olhar suave Todo o perfume dessa flor da infância, Ouvia alegre o gazear dessa ave!

Depois, a borboleta da campina Toda azul - como os olhos grandes dela - A doudejar gentil passou bem junto E beijou-lhe da face a rosa bela.

- Oh! como é linda! disse o louro anjinho No doce acento da virgínea fala - Mamãe me ralha se eu ficar cansada Mas - dizia a correr - hei de apanhá-la! -

Eu segui-a chamando-a, e ela rindo Mais corria gentil por entre as flores, E a - flor dos ares - abaixando o vôo Mostrava as asas de brilhantes cores.

Iam, vinham, à roda das acácias, Brincavam no rosal, nas violetas, E eu de longe dizia: - Que doidinhas! Meu Deus! meu Deus! são duas borboletas!...

Ri, criança, a vida é curta, O sonho dura um instante. Depois... o cipreste esguio Mostra a cova ao viandante!

A vida é triste - quem nega? - Nem vale a pena dizê-lo. Deus a parte entre seus dedos Qual um fio de cabelo!

Como o dia, a nossa vida Na aurora é - toda venturas, De tarde - doce tristeza, De noite - sombras escuras!

A velhice tem gemidos, - A dor das visões passadas - A mocidade - queixumes, Só a infância tem risadas!

Ri, criança, a vida é curta, O sonho dura um instante. Depois... o cipreste esguio Mostra a cova ao viandante!